As cartas caindo do céu !
Uma montanha-russa da qual não se pode descer, mas consigo ouvir gritos em meu entorno que conseguiram me trazer de volta à realidade por um instante, e por uma fração de segundo as cartas pararam de cair. Sangue e corpos espalhados ao meu redor, pessoas ao meu redor me olhando com grande pavor, todos encostados nas paredes do local que não consegui reconhecer. Queria perguntar o que tinha acontecido ali, mas a única coisa que consegui fazer foi gritar de agonia. As cartas haviam voltado, trazendo com elas várias memórias indesejadas em minha mente!
Tentei pedir ajuda, mas ninguém veio me socorrer e preferiram me olhar com aqueles olhares de pavor, como se eu fosse algum louco que havia surtado. Um louco que eu não era, mesmo que estivesse surtando, querendo que aquilo acabasse. Queria voltar para casa, ver meus desenhos animados enquanto tomo um suco de maracujá da minha mãe. Queria que aqueles inúteis que me olhavam chamassem a ambulância porque meus filhos e esposa estavam caídos no chão, machucados. Maldito motoqueiro bêbado!
“Espera, o que estou pensando?” me questiono, não sabendo se verbalizei ou não, só sei que aquelas malditas cartas parecem rir da minha miséria. Um entretenimento mórbido onde eu sou a estrela principal desse picadeiro doentio. Escuto tiros, sons de gotas caindo no chão e sons de sirenes, tudo se misturando em uma grande sinfonia desse recorte de cenas sem nexo. Sendo que sou somente o único espectador desse filme que se passa em minha mente, onde eu consumo sem pipoca ou algum líquido para acompanhar. Observo as cartas caindo e me questiono: quem sou eu? Quais dessas memórias são de fato minhas? Será que ainda estou vivo?
Somente espero que os guardas que estão se aproximando sejam reais e que eles acabem com este tormento, ou que pelo menos me tragam o motivo de somente eu conseguir ver essa chuva tão esquisita, além de ser o único que sofre com este infortúnio decorrente desse fenômeno tão bizarro.
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