Lembranças de um velho cacto

 Naquela enorme estufa estava nosso reino, nosso mundo em que vivíamos de maneira calma. O humano cuidava daquela enorme estufa e gentil com todos, regando cuidadosamente cada um do jeito que cada um gostava. 

Lembro dessa época, sempre fui o Cacto mais resistente desse lugar, tanto que já estou vivo a quase 70  anos sendo considerado um ancião por todas as plantas pois minha espécie de cacto não vive por tanto tempo. Lembro bem do amor que ele dava igualmente aos habitantes , mas sentia sendo eu o favorito dele, pois lembro de quando o mesmo  me levava para passear.

Não sabia por qual motivo aquele homem fazia isso, mas conseguia sentir suas mãos tremerem toda vez mesmo eu em meu vaso não éramos pesados.

“Talvez você seja a planta suporte dele!” Um girassol me falava quase quando me questionava em voz alta.

“Humanos são assim,  complicados demais para nós,  plantas, entendermos eles ! Às vezes é melhor só deixar como esta!” falava uma rosa um pouco mais distantes .  Eu nunca negava nada e nem rebatia, nunca sentia necessidade, só aproveitava as caminhadas com o jardineiro pois ele sempre fazia caminhos diferentes mas sempre pareciam tão iguais por sempre parecer só ter construções dos primatas ditos inteligentes. 

Uma época boa devo dizer, mesmo com toda aquela poluição para mim era uma época boa onde eu e meus companheiros eram só plantas ditas como irracionais pelos autoproclamados donos do mundo.  Agora temos a dita consciência humana, inteligência e um pouco de locomoção para explorar o que sobrou da humanidade, somente suas construções já destruídas pelo tempo.

De fato as areias  do tempo são impiedosas , os poucos animais ainda estão se restabelecendo e as plantas estão aos poucos virando os donos desse mundo . No entanto a estufa continua sendo um pequeno reino ao qual continuo mantendo ao lado de outras plantas , só não é mais um pequeno mundo só meu e meus amigos , não é mais onde meu humano está lá. 

Espero nunca falar isso em voz alta pois iram me chamar de louco por  sentir  falta dele.

Sempre fui mais resistente à minha espécie , mas ainda sim sinto saudades das caminhadas ao seu lado , dos desabafos que para mim eram incompreensíveis por não entender nada direito , o cuidado dele quando podava meus espinhos e até de sua mera companhia . Ele sempre será meu melhor amigo , eu não era a planta de suporte dele era ele o meu humano de suporte. 


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